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| Onde iremos parar nós? |
A situação do País é grave. Nunca
pensei que o nosso país estivesse com um panorama tão negativo. Talvez fosse
por ser jovem e pensar que seria possível voltar atrás na situação. Estou
enganado, infelizmente.
Falo, não da situação económica,
nem na falta de valores, mas sim na vinda de Justin Bieber a Portugal esta
semana. Jovens com uma média de idades de 14,4 anos (sim, eu fiz as contas) estão
acampadas à porta do Pavilhão Atlântico desde 6ª feira. Tudo para verem o seu ídolo.
A má notícia para alguns pais é que os seus filhos estão lá também.
Antes de mais quero destacar o
profissionalismo do jornalista. Aposto que perdeu um pontos no seu QI, mas nada
que não possa recuperar com a leitura do prefácio de um bom livro (sim, chega e
sobra, acreditem). Aposto que foi depois fazer uma vasectomia para evitar estes
males na sua família. Por outro lado, a SIC deveria ter avisado os espectadores
de que iriam aparecer imagens e comentários chocantes: eu estava a jantar na
altura em que a notícia foi para o ar. Eu mando depois a conta do psicólogo.
Foi entrevistada uma rapariga de
15 anos que tinha não uma, não duas, mas sim 6 tatuagens sobre o cantor. A
rapariga é menor, portanto, precisaria de ter uma autorização dos pais para
fazer as tatuagens. Isto levanta questões morais de um nível tão elevado que faz
com que os dois anos de Filosofia que tive no secundário sejam comparáveis a um
bom programa na TVI: inexistentes.
Tenho a esperança que ela tenha
enganado os seus progenitores (para não chamar já a Segurança Social). Que lhes
tivesse dado um papel a fazer de conta que era para uma visita de estudo ao
Oceanário e os pais, com pressa para irem para o trabalho, não o liam e
assinavam-no logo. Mas depois penso: “Esta
é uma rapariga que está acampada desde 6ª feira à porta do Pavilhão Atlântico e
que tem 6 tatuagens do Justin Bieber.” – portanto, esta minha ideia é inválida
pois implicaria o uso de uma ferramenta que aparentemente ela não possui: um
cérebro. Cérebro esse que se ela tivesse estaria também tatuado (ela ia
esforçar-se para isso).
Ela diz que não se vai arrepender
porque, além de eles continuarem a crescer (ela e o artista em causa) o amor
por ele vai também acompanhar essa evolução. Estou para ver a reportagem nos “Perdidos
e Achados” daqui a 10 anos: esta (ainda) jovem irá aparecer sem um braço quase
de certeza. Ou então nem vai aparecer porque, quem toma uma decisão destas (seis
vezes) aos 15 anos, vai por bons caminhos vai!
Por outro lado penso: coitado.
Não estou a falar do Justin Bieber (óbvio), nem do pai (que por esta altura já
deve ter ido para casa da sua família ilegítima), mas sim do tatuador. Tudo bem
que conseguiu fazer uns trocos com esta moça, mas imaginem um gajo que passou a
vida a fazer cursos/formações para conseguir fazer caveiras, arame farpado e
símbolos tribais a ter de fazer desenhos relacionados com o jovem cantor.
Imaginem o bullying que ele deve
sofrer por parte dos outros tatuadores. Mais um “JB” tatuado no cachaço de uma
rapariga e ele põe término à sua vida. Eu até estou a pensar em fazer uma
tatuagem do símbolo dos Guns n’ Roses
só para lhe salvar a vida.
Mas nesta reportagem, por incrível
que pareça, há uma boa notícia. Uma rapariga não vai poder ir ao concerto
porque, além de ser muito nova, a irmã mais velha afirma (num diálogo em background) que não tiveram dinheiro
para comprar um bilhete para ela. Quem é que dizia que a crise não servia para
nada?! Vai-se salvar uma vida!
Para acabar e continuando a falar
no Justin e nos concertos em Portugal, foi cancelada a sua segunda atuação no
Pavilhão Atlântico. Opiniões à parte, acho isso muito errado. Estão a destruir
o sonho de uma menina -- por não a deixarem atuar 2 vezes em Portugal.
Pedro Ferreira















